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Quando os ovos são o centro da mesa

Quando os ovos são o centro da mesa

A doçaria portuguesa de Natal tem uma base muito clara: ovos. Durante séculos, sobretudo nos conventos, as gemas foram usadas para criar doces ricos, densos e pensados para durar. Essa tradição atravessou o tempo e chegou às cozinhas de hoje, onde continuam a ser os ovos a dar corpo, textura e sabor às sobremesas que marcam esta época.

E chegando agora ao Natal, os doces fazem-se com tempo e em quantidade (e nós temos agora disponíveis caixas 60 ovos que vão dar muito jeito nesta fase!).

Não são apenas para a noite da consoada, mas para os dias que se seguem, para visitas inesperadas e para mesas que nunca ficam vazias. Hoje falamos de alguns doces clássicos, feitos para partilhar, todos com base no mesmo ingrediente essencial, os ovos.

Rabanadas no forno para muitos


Rabanadas no forno
10 a 12 pessoas

As rabanadas são um dos símbolos mais fortes do Natal. A versão no forno permite preparar muitas de uma só vez, com menos gordura e menos confusão na cozinha.

  • 1 pão grande do dia anterior (cerca de 18 a 20 fatias)

  • 1,5 litros de leite (pode ser vegetal, de preferência sem açúcar)

  • 12 ovos

  • 150 g de açúcar

  • 2 paus de canela

  • 2 tiras largas de casca de limão

  • Açúcar e canela em pó para finalizar

Corta o pão em fatias grossas e dispõe-as num tabuleiro grande. Aquece o leite vegetal com os paus de canela e a casca de limão, sem deixar ferver. Verte o leite quente sobre o pão e deixa absorver bem.

Bate os ovos numa tigela larga e passa cuidadosamente cada fatia de pão pelo ovo. Coloca novamente no tabuleiro e leva ao forno pré-aquecido a 180 °C até ficarem douradas por fora e macias por dentro, virando a meio da cozedura.

Retira do forno e, ainda quentes, polvilha com açúcar e canela.

Arroz-doce de Natal

Arroz doce
10 ovos, 8 a 10 pessoas

Cada família tem a sua receita, e o arroz-doce é presença habitual nas mesas de Natal e um dos doces mais reconfortantes desta época. Cremoso, simples e feito com ingredientes básicos, ganha riqueza extra com a adição de ovos no final da cozedura, como manda a tradição.

  • 300 g de arroz carolino

  • 1 litro de água

  • 1,5 litros de leite vegetal (aveia ou soja, sem açúcar)

  • 10 ovos

  • 200 g de açúcar (ajustar a gosto)

  • 2 tiras largas de casca de limão

  • 2 paus de canela

  • Canela em pó para finalizar

O arroz cozinha lentamente em água até ficar macio. Junta-se depois o leite vegetal quente, aromatizado com a casca de limão e a canela, e deixa-se apurar em lume brando, mexendo regularmente para não pegar.

À parte, batem-se os ovos com o açúcar. Retira-se o arroz do lume e junta-se a mistura de ovos aos poucos, envolvendo bem para ganhar cremosidade sem talhar. Volta-se a mexer suavemente até o creme ficar homogéneo.

Serve-se morno ou frio, polvilhado com canela, em travessa grande ou em taças individuais. Conserva-se bem no frigorífico durante vários dias.

Pão-de-ló caseiro fofo

Pão-de-ló caseiro
10 a 12 pessoas

Poucos doces dizem tanto “Natal” como um pão-de-ló feito em casa. Leve, húmido e simples, depende quase exclusivamente da qualidade dos ovos.

  • 12 ovos

  • 300 g de açúcar

  • 120 g de farinha sem fermento

  • Manteiga e farinha para untar a forma

Os ovos são batidos com o açúcar durante vários minutos, até a mistura ficar clara e duplicar de volume. A farinha entra no fim, peneirada e envolvida com cuidado, sem bater, para não perder ar.

Verte-se a massa numa forma untada e enfarinhada e leva-se ao forno pré-aquecido a 180 °C. Cozinha até ficar cozido por fora e ainda húmido no interior, conforme o gosto.

Serve-se à colher ou em fatias generosas, no dia 24 ou nos pequenos-almoços dos dias seguintes.

Filhoses tradicionais que duram

Filhoses tradicionais
12 a 16 pessoas

As filhoses são feitas para durar. A massa, rica em ovos, leva farinha, açúcar, azeite ou manteiga e um toque de aguardente. É um doce pensado para ser preparado com tempo, guardado e partilhado ao longo de vários dias.

  • 26 ovos

  • 1,5 kg de farinha

  • 250 g de açúcar

  • 100 ml de azeite ou manteiga derretida

  • 1 copo pequeno de aguardente

  • 1 pitada de sal

  • Raspa de limão ou laranja (opcional)

  • Óleo para fritar ou tabuleiros para forno

  • Açúcar e canela para polvilhar

Batam-se ligeiramente os ovos com o açúcar, o azeite ou manteiga, a aguardente, o sal e a raspa de citrinos, se usada. Junta-se a farinha aos poucos, amassando até obter uma massa lisa e elástica, que não cole às mãos.

Deixa-se a massa descansar, tapada, durante cerca de uma hora. Depois, moldam-se pequenas porções e fritam-se em óleo quente ou levam-se ao forno até ficarem douradas, conforme a tradição da casa. Depois de prontas, escorrem-se e polvilham-se com açúcar e canela. 

Guardam-se bem durante vários dias, em recipiente fechado, e vão aparecendo à mesa ao longo de toda a época festiva.

Porquê 60 ovos?

Se fizeres todas estas receitas, usas 60 ovos. É um número que surge naturalmente, e nada ao acaso (🙄), quando se preparam vários doces tradicionais inspirados na herança conventual portuguesa e pensados para acompanhar todo o ritmo do Natal.

Quando a tradição chama pela cozinha, os ovos frescos fazem toda a diferença. Seja com ovos comprados ao longo da época ou garantidos de antemão, o essencial é simples: tê-los disponíveis sempre que a tradição pede tempo de cozinha.

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