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Todos os cogumelos são mágicos

Todos os cogumelos são mágicos

 

Até os que vêm no vosso cabaz da Equal Food. Antes que levantem uma das sobrancelhas em descrédito, se apressem a descartar os benditos cogumelos, ou joguem as mãos às ancas vociferando um “Com’assim?”, deixem-me explicar.

Comecemos pelo princípio. Os cogumelos não são plantas nem animais, mas estão evolutivamente mais próximos de nós do que de uma alface. Essa diferenciação valeu-lhes um grupo só deles: o Reino Fungi.

Que os cogumelos são fungos, não será uma surpresa para quem me lê. Mas os termos “cogumelo” e “fungo” não são sinónimos. A verdade é que todos os cogumelos são fungos, mas nem todos os fungos são cogumelos. (Imaginem o que seria crescer-nos cogumelos nos pés se por azar desenvolvêssemos pé-de-atleta…Não dava jeito nenhum para nos calçarmos! Mas voltemos ao que interessa.)

O cogumelo é a frutificação do fungo que se esconde debaixo de terra. De uma forma simplista, um cogumelo serve o mesmo propósito de uma pêra que frutifica de uma pereira: permite gerar descendência. Assim, os cogumelos que talvez vos tenham chegado no cabaz, são as estruturas reprodutivas de fungos, e têm a função de produzir e espalhar esporos – já as pêras usam sementes. O que nós geralmente não vemos é o corpo subterrâneo do fungo, chamado de micélio. O micélio é a parte vegetativa do fungo e apresenta-se como uma imensa rede de filamentos muito finos, que dão pelo nome de hifas. Ao penetrarem no solo, na madeira, ou noutros substratos, as hifas absorvem nutrientes e água, decompõem matéria orgânica e ainda servem de canal de comunicação no subsolo, numa verdadeira Wood-Wide-Web. Sim, existe uma internet das plantas, gerida por fungos.

A capacidade de muitos fungos transformarem morte em vida ao fazerem a decomposição de folhas, restos de animais, ou madeira (Olá, cogumelos-ostra!) é, para mim, uma das artimanhas evolucionárias mais incríveis. Mas o que mais há no Reino dos Fungos são exemplos de como os cogumelos têm algo de mágico.

Existem cogumelos que mudam de cor, ou que se desfazem quando lhes tocamos. Outros há que, não sendo peixes – desculpem-me o óbvio! – cheiram a peixe. Também os há com sabor a nozes, apesar de não serem nozes. Até existem cogumelos que dão leite, senhoras e senhores, leite! – os especialistas chamam a essa substância látex. Já para não falar daqueles cogumelos que, quando ingeridos, têm a capacidade de levar os seus consumidores em viagens a mundos alternativos – ou, na pior das hipóteses, numa viagem sem retorno ao reino dos mortos.

Num próximo passeio por zonas florestais, prestem atenção a quem vive no chão. Com toda a certeza irão encontrar cogumelos incríveis. Observem-nos e apreciem o fruto do trabalho do fungo.

Nota importante: Nunca apanhem cogumelos se não os souberem identificar. A linha que separa um cogumelo comestível de um cogumelo tóxico ou mortal pode ser muito fina. Se quiserem cogumelos, podem sempre adicioná-los ao cabaz.


Carla R. Lourenço

Bióloga Marinha & Especialista em Comunicação de Ciência | Marine Biologist, PhD & Science Communication Specialist

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